Cultivo do damasco

O damasco é um dos frutos mais consumidos na Europa. Tem uma longa história, com origem na Ásia, e foi levado para a Europa pelos romanos. Atualmente, Espanha desempenha um papel importante na sua produção mundial. O seu cultivo é muitas vezes imprevisível, uma vez que os gomos e as flores, particularmente delicados, são muito sensíveis ao frio e às geadas tardias, o que limita a sua expansão. Depois de colhido, o fruto amolece rapidamente, sendo também necessário estar atento a ameaças como o vírus da Sharka, a moniliose ou o difícil capnodis.

Por esse motivo, a inovação é constante: procuram-se novas variedades de maturação tardia, aplicam-se substâncias naturais, como o ácido oxálico ou o ácido salicílico, antes da colheita para prolongar a conservação e melhorar a firmeza, e gere-se a água de forma eficiente através da rega gota a gota.

O que é o damasco

O damasco é o fruto do damasqueiro, uma árvore pertencente à família das Rosáceas. O seu nome científico é Prunus armeniaca.

Qual é a sua origem? É originário das zonas temperadas da Ásia, como a China. Os romanos levaram-no para a Europa através das suas rotas comerciais com a Ásia, passando pela Arménia. Daí a designação armeniaca. Mais tarde, entre os séculos XVI e XVII, chegou à América a partir da Europa.

Espanha é um dos grandes produtores mundiais de damasco. A produção média dos últimos 10 anos foi de cerca de 150.000 toneladas. A nível global, a Turquia é o maior produtor, com mais de 18% do total. O Irão e o Uzbequistão seguem-se de perto. Na Europa, a Itália ocupa o primeiro lugar, seguida de França e Espanha. Em África, destacam-se a Argélia e Marrocos. No continente americano, os Estados Unidos.

Tipos de damasco

Existem inúmeras variedades de damasco. Apresentamos algumas das mais importantes:

  • Búlida: variedade espanhola, muito resistente. Adapta-se a quase todos os tipos de solo. Apresenta uma produção elevada e regular. No entanto, é sensível ao oídio e à moniliose. O fruto é grande, de casca amarela, com polpa doce e sumarenta. A colheita realiza-se no final de maio.
  • Canino: outra variedade espanhola. As árvores são muito vigorosas. É resistente a parasitas e à queda dos frutos. Os frutos são grandes, redondos e de cor laranja intensa. A polpa é firme e saborosa. A colheita realiza-se em junho.
  • Nancy: as árvores apresentam bom vigor e uma produção média. Os frutos são muito grandes, amarelos com estrias vermelhas. A polpa é acobreada, sumarenta e doce. A colheita realiza-se em junho e apresenta boa resistência ao transporte.
  • Paviot: árvores muito vigorosas. O fruto é muito grande, laranja com tonalidades vermelhas intensas. A polpa é amarela, muito fina e aromática. A colheita realiza-se entre julho e agosto.
  • Moniquí: apresenta vigor médio, embora a produção seja algo irregular. O fruto é grande, ovalado e branco-rosado. A polpa é sumarenta, doce e muito saborosa. A colheita realiza-se entre junho e o início de julho. É ideal para consumo em fresco.
  • Currot: é uma das variedades mais precoces a chegar ao mercado. Os frutos são pequenos, com casca delicada e polpa esbranquiçada, ligeiramente ácida. Por vezes, são sujeitos a maturação antes da comercialização, uma vez que, quando acabados de colher, apresentam pouco sabor.
  • Galta Roja: provavelmente a variedade mais vendida e consumida em Espanha. Apresenta uma casca muito atrativa, parcialmente avermelhada e parcialmente amarela ou laranja. A polpa é alaranjada e doce.
  • Ginesta: uma das variedades mais precoces. Apresenta frutos redondos, casca esbranquiçada e polpa branca, suave e delicada.
  • Mitger: destaca-se pelo tamanho, entre 50 e 55 mm. Apresenta casca fina e aveludada e polpa branca, doce e sumarenta. Surge no mercado no final de maio.

Existem também seleções tardias, como as desenvolvidas pelo CEBAS ou pelo IMIDA, que permitem prolongar a campanha. Por exemplo, Murciana e Dorada são mais tardias do que Búlida.

Cultivo de albaricoque

Requisitos necessários para o cultivo do damasco

O damasqueiro é uma árvore algo exigente. Necessita de condições muito específicas para crescer corretamente e produzir frutos de qualidade.

Requisitos do solo

No que diz respeito ao solo, não é extremamente exigente, mas apresenta algumas preferências. Desenvolve-se melhor em solos:

  • Quentes, secos e leves.
  • Profundos e calcários.

É importante evitar solos pesados, frios ou húmidos. Se o subsolo for muito permeável, tanto melhor, pois evita a acumulação de água, que é muito prejudicial para a cultura. Em solos profundos, o damasqueiro desenvolve-se muito bem e produz frutos de qualidade. Em terrenos mais pobres, como encostas secas, a árvore apresenta menor porte, mas os frutos tendem a ser mais aromáticos.

Por exemplo, num projeto desenvolvido em Caravaca de la Cruz, em Múrcia, o solo apresentava textura franca, baixa condutividade elétrica e reduzido teor de matéria orgânica.

Requisitos climáticos

O damasqueiro necessita de um período de frio no inverno, entre 300 e 900 horas abaixo de 7 °C, consoante a variedade. No entanto, existe um problema importante: floresce muito cedo, entre março e abril, antes do aparecimento das folhas. Por esse motivo, é muito sensível às geadas tardias. Uma descida acentuada da temperatura nesta fase pode causar danos graves.

Também necessita de calor no verão para que o fruto amadureça corretamente. Além disso, apresenta uma boa resistência à seca. Prefere zonas arejadas e soalheiras, como planaltos e colinas, em vez de terrenos planos. A altitude ideal situa-se entre 200 e 500 metros.

No projeto de Caravaca de la Cruz, a exploração encontra-se entre 755 e 770 metros de altitude. Nessa zona, são monitorizados dados de temperatura, precipitação e horas de sol, fundamentais para a gestão da cultura.

Requisitos hídricos

A rega é essencial, sobretudo nas fases iniciais. Imediatamente após a plantação, é necessário regar bem para evitar a formação de bolsas de ar junto às raízes e favorecer o seu contacto com o solo. Durante o primeiro ano, devem realizar-se regas abundantes até que a árvore esteja devidamente estabelecida.

Quando o sistema radicular já se encontra bem desenvolvido, o damasqueiro necessita de menos água, exceto durante períodos prolongados de seca. De facto, considera-se uma cultura pouco exigente em termos hídricos.

Na exploração do projeto, utiliza-se rega localizada, concretamente rega gota a gota. A rega decorre entre março e novembro. As dotações são calculadas com grande precisão, tendo em conta as necessidades da cultura, a precipitação registada e as características do solo, com o objetivo de maximizar a eficiência.

albaricoques

Como se cultiva o damasco?

Cultivar damascos exige seguir vários passos. Vejamos quais são.

Como se planta

Antes de plantar, é necessário marcar a posição de cada árvore. Em seguida, abrem-se as covas. A distância entre plantas pode variar entre 4 e 6 metros, dependendo da variedade e do porta-enxerto.

Uma recomendação: coloque a planta de forma que o ponto de enxertia —a união entre a variedade e o porta-enxerto— fique orientado para os ventos dominantes. Desta forma, será mais resistente a possíveis ruturas. A árvore deve ser plantada à mesma profundidade a que se encontrava no viveiro. Ao preencher a cova, compacte bem a terra em redor do tronco. É importante não acumular terra adicional sobre o tronco, pois pode causar problemas.

A forma mais comum de propagar o damasqueiro é através da enxertia, normalmente realizada na primavera. Utiliza-se um porta-enxerto de ameixeira —como St. Julian A, Mirabolano ou Rainha Cláudia—, pessegueiro ou amendoeira. A amendoeira, por exemplo, é muito adequada para solos calcários e secos ou para plantações de sequeiro, uma vez que apresenta um sistema radicular profundo. Existem várias técnicas de enxertia, como a enxertia de borbulha em lasca ou de escudete.

Antes da plantação, prepara-se o solo através de uma subsolagem profunda, da remoção de pedras e, por vezes, da incorporação de estrume bem decomposto nas linhas de plantação. A densidade habitual situa-se em torno de 370 árvores por hectare, com um compasso de 6 × 4,5 m.

Quando se planta

No projeto analisado, as principais variedades começaram a ser plantadas no início de 2014. Posteriormente, foram introduzidas outras variedades em 2016, 2017 e 2019.

Quando se rega

Como referido anteriormente, a primeira rega realiza-se imediatamente após a plantação. Depois, durante o primeiro ano, é necessário regar abundantemente. No projeto, a rega decorre entre março e novembro, seguindo um plano cuidadosamente calculado para garantir que a água chega no momento e no local certos.

Tratamentos e colheita do damasco

Cuidar do damasqueiro implica protegê-lo e saber quando e como colher o fruto.

Fertilizantes e fertirrega

Todos os anos, recomenda-se realizar análises foliares para determinar as necessidades nutricionais das árvores. No projeto desenvolvido em Múrcia, foram utilizados diferentes tipos de fertilizantes: ácido fosfórico, complexos NPK, nitratos —de potássio, magnésio e cálcio—, ácidos húmicos e fúlvicos e quelatos de ferro, zinco e manganês.

Os fertilizantes são aplicados de forma eficiente através do próprio sistema de rega, por fertirrega. As quantidades variam consoante a idade da árvore. Por exemplo, na variedade Búlida, parte do azoto é aplicada após a colheita. Noutras variedades, a aplicação realiza-se depois do vingamento dos frutos.

Tipos de pragas e tratamentos

É necessário manter uma vigilância constante, uma vez que as pragas e doenças podem provocar problemas graves. Os tratamentos são realizados de acordo com as normas de produção integrada. Durante o inverno, pode utilizar-se óleo parafínico e cobre quando existe uma elevada presença de insetos ou ácaros em hibernação. Posteriormente, consoante as condições climáticas, monitorizam-se a mosca-da-fruta e os fungos.

Alguns dos problemas mais comuns são:

  • Produção irregular: em alguns anos, as árvores produzem muitos frutos e, noutros, poucos.
  • Calibre reduzido: os frutos não atingem o tamanho esperado.
  • Geadas de primavera: podem danificar as variedades precoces.
  • Doenças do solo: como a asfixia radicular ou determinados fungos.
  • Capnodis: é necessário prestar especial atenção a esta praga. Trata-se de um coleóptero cuja larva, semelhante a um prego, escava galerias sob a casca. Pode causar danos devastadores.
  • Declínio por enrolamento clorótico: provoca a morte da árvore.
  • Vírus da Sharka: é uma das doenças mais temidas na Europa. Propaga-se rapidamente e provoca danos significativos nos frutos. Origina manchas nas folhas e anéis na polpa, que se torna seca e dura.

Para combater estes problemas, estão a ser investigados tratamentos com substâncias naturais denominadas elicitores. Entre estas encontram-se o ácido oxálico e o ácido salicílico, que ativam as defesas naturais da planta. Alguns estudos demonstraram que o ácido oxálico ajudou a aumentar a resistência da planta a fungos e vírus, enquanto o ácido salicílico pode atrasar a maturação. Num estudo realizado com a variedade ‘Madison’, estes tratamentos aumentaram a produção e o peso dos frutos em 13,8% e 14,5%, respetivamente. Além disso, ajudaram a manter a firmeza dos frutos durante mais tempo após a colheita.

Colheita do damasco

Os damascos são colhidos quando mudam de cor, passando de verde para amarelo-rosado. É importante colhê-los enquanto ainda estão firmes. Se estiverem demasiado moles, ficam facilmente pisados e apodrecem com maior rapidez. A colheita é realizada manualmente.

No estudo da variedade ‘Madison’, a colheita foi escalonada ao longo de vários dias de maio. Geralmente, a maturação do damasco ocorre entre maio e junho, dependendo da variedade.

Um dado interessante: quando os frutos são colhidos mais cedo, apresentam maior resistência ao transporte. Quando são colhidos mais tarde, têm melhor sabor, mas uma menor capacidade de conservação.

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Qual é o melhor sistema de rega para os damasqueiros?

Sem dúvida, a rega gota a gota é uma excelente solução.

Como melhora o rendimento a rega gota a gota?

A rega gota a gota permite que a água chegue diretamente à zona radicular de cada árvore. Cada gota é controlada, tornando o sistema extremamente eficiente. A rega adapta-se às necessidades da planta, às condições climáticas e ao tipo de solo.

Desta forma, não só se poupa água —o que beneficia tanto o ambiente como os custos da exploração—, como também se contribui para uma produção agrícola mais sustentável. Ao evitar o excesso de humidade nas folhas, reduz-se ainda o risco de muitas doenças. Além disso, quando o sistema é corretamente dimensionado, favorece um melhor estabelecimento das raízes durante as fases iniciais.

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