Cultivo de Trigo: Rega Eficiente para uma Produção Elevada

A rega gota a gota está a revolucionar o cultivo de trigo em Espanha. Enquanto o sequeiro tradicional produz 2.500-3.000 kg/ha, com uma rega eficiente é possível alcançar 6.000-8.000 kg/ha, mais do dobro do rendimento. O sistema de rega gota a gota enterrada reduz o consumo de água em 30% face à aspersão, permite aplicar fertilizantes com precisão em cada fase do cultivo e amortiza-se num período de 4 a 6 anos. As chaves para o sucesso passam por regar nos momentos críticos —encanamento, floração e enchimento do grão—, escolher a variedade adequada, semear no período ideal entre outubro e dezembro e colher quando o grão apresenta entre 13% e 16% de humidade. Com uma gestão agronómica correta e os sistemas Caudal, transformar a sua exploração cerealífera num regadio rentável é perfeitamente viável.

O que é o cultivo de trigo

Falar de trigo é falar de história. Este cereal alimenta-nos há mais de 10.000 anos e continua a ser um dos pilares da nossa alimentação. O trigo (Triticum spp.) é uma gramínea anual bastante versátil, capaz de se adaptar a diferentes climas e solos. Ainda assim, para tirar o máximo partido do seu potencial, é necessário cuidar de determinados aspetos da gestão agronómica, sendo a rega, sem dúvida, um dos mais críticos.

Em Espanha, o trigo ocupa cerca de 2 milhões de hectares. Tradicionalmente, tem sido cultivado em sequeiro, deixando a colheita dependente das condições meteorológicas. No entanto, quando incorporamos sistemas de rega eficientes, os resultados mudam radicalmente: passamos de produções médias de 2.500-3.000 kg por hectare para rendimentos que ultrapassam facilmente os 6.000-8.000 kg/ha. Ou seja, mais do dobro. E isto não é magia, mas sim fornecer à cultura aquilo de que necessita no momento certo.

O ciclo do trigo tem o seu próprio ritmo e as suas próprias etapas: germinação, afilhamento, encanamento, espigamento, floração e maturação. Cada uma exige diferentes condições de água, nutrientes e temperatura. É como uma sinfonia em que cada nota deve soar no momento certo para que o resultado seja excecional.

Tipos de trigo

Nem todos os trigos são iguais. Dependendo da utilização pretendida e da zona onde são cultivados, optaremos por um ou por outro. Estes são os principais:

Trigo mole (Triticum aestivum): É o líder indiscutível. Representa quase 95% do trigo cultivado em Espanha. Os seus grãos são mais macios, ricos em amido e perfeitos para produzir pão, pastelaria e todo o tipo de massas. É o trigo utilizado na grande maioria das padarias.

Trigo duro (Triticum durum): Neste caso, estamos perante um tipo diferente. Os seus grãos são mais duros, quase vítreos, e apresentam um teor mais elevado de proteína. Se aprecia massa, cuscuz ou sêmola, é a este trigo que o deve. É cultivado sobretudo em zonas mediterrânicas, onde encontra condições climáticas particularmente favoráveis.

Trigo de inverno: É o mais comum nesta região. É semeado no outono, entre outubro e novembro, e necessita de passar por um período de frio —o que designamos por vernalização— para completar corretamente o seu ciclo. Depois, cresce durante 7 a 9 meses até à colheita. É uma cultura resistente e de ciclo longo.

Trigo de primavera: Este apresenta um ciclo mais curto. É semeado entre fevereiro e março, não necessita desse período de frio invernal e fica pronto em 4 a 5 meses. É menos habitual em Espanha, mas pode ser muito útil em zonas onde os invernos são demasiado rigorosos ou quando a campanha de outono não decorreu como previsto e é necessária uma segunda oportunidade.

Cultivar trigo

Dentro destas categorias existe um vasto universo de variedades comerciais. Para culturas de regadio com rega gota a gota, interessam-nos especialmente as variedades de porte baixo a médio, com boa capacidade de afilhamento e excelente resposta à aplicação de azoto. Uma escolha correta pode fazer a diferença entre uma boa colheita e uma colheita excelente.

Requisitos necessários para o cultivo do trigo

Requisitos do solo

O trigo adapta-se bastante bem a diferentes tipos de solo. Não é uma cultura particularmente exigente que apenas se desenvolva em condições perfeitas. No entanto, como acontece com qualquer cultura, quanto melhores forem as condições proporcionadas, melhores serão os resultados.

Textura: Os solos franco-argilosos, franco-limosos ou simplesmente francos são os mais adequados. Porquê? Porque proporcionam um equilíbrio ideal entre a retenção de água e uma boa drenagem. Ou seja, evitam tanto o encharcamento como a seca extrema. O trigo também pode ser cultivado em solos mais argilosos, desde que não apresentem problemas de encharcamento, ou em solos arenosos, caso se esteja disposto a regar com maior frequência. Ainda assim, o rendimento poderá ser ligeiramente inferior.

Profundidade: Neste caso, são necessários pelo menos 60-80 cm de solo franco para que as raízes se possam desenvolver adequadamente. O sistema radicular do trigo pode atingir entre 150 e 180 cm quando as condições são favoráveis. Quanto maior for a profundidade alcançada pelas raízes, maior será a quantidade de água e nutrientes que a cultura poderá aproveitar.

pH: O intervalo ideal situa-se entre 6,0 e 7,5. O trigo tolera bem alguma alcalinidade, até um pH de 8,0, mas em solos ácidos, com valores inferiores a 5,5, começam a surgir problemas: o alumínio torna-se tóxico e a absorção de nutrientes fica comprometida.

Drenagem: Este aspeto é imprescindível. Um encharcamento, mesmo que temporário, pode comprometer toda a cultura. As raízes ficam asfixiadas, surgem fungos e o rendimento diminui drasticamente. Com a rega gota a gota, este fator torna-se ainda mais crítico, pois, se a água não drenar corretamente, estaremos a criar problemas onde antes não existiam.

Salinidade: Neste aspeto, o trigo apresenta uma tolerância relativamente boa. Suporta condutividades de até 6-8 dS/m sem sofrer alterações significativas. Acima destes valores, começam a verificar-se perdas de rendimento entre 10% e 25%. Não é uma das culturas mais sensíveis, mas também não é das mais resistentes.

Matéria orgânica: Se o teor for superior a 2%, tanto melhor. A matéria orgânica melhora a estrutura do solo, ajuda a reter água sem provocar encharcamentos e mantém ativa toda a microbiologia do solo que trabalha em benefício da cultura, mesmo sem ser visível.

Cultivo de trigo

Requisitos climáticos

O trigo é uma cultura de clima temperado-frio, e cada fase do seu desenvolvimento tem as suas próprias preferências. É como se a cultura fosse mudando de personalidade à medida que cresce.

Temperatura: Durante a germinação, prefere temperaturas entre 15 e 20 °C, embora possa germinar entre 3 e 30 °C. Durante o afilhamento, desenvolve-se melhor com temperaturas mais frescas, entre 12 e 15 °C. O trigo de inverno necessita de um período de frio —entre 0 e 10 °C durante um ou dois meses— para se desenvolver corretamente nas fases seguintes. Quando chega o espigamento e a floração, prefere temperaturas mais amenas, entre 18 e 24 °C. Para o enchimento do grão, o ideal situa-se entre 20 e 25 °C. No entanto, se durante a floração se registarem temperaturas superiores a 30 °C, podem surgir problemas graves de esterilidade.

Geadas: É nesta situação que o trigo de inverno demonstra a sua resistência. Durante a fase vegetativa, suporta temperaturas entre -10 e -15 °C sem danos significativos. Contudo, durante o espigamento ou a floração, temperaturas de apenas -2 °C já podem causar problemas: as flores ficam danificadas e verifica-se uma redução do número de grãos por espiga.

Precipitação: Embora o trigo de sequeiro consiga sobreviver com 400-600 mm por ano, para obter produções elevadas são necessários entre 500 e 700 mm bem distribuídos. O período crítico decorre desde o encanamento até ao enchimento do grão, que é quando a cultura apresenta maiores necessidades hídricas.

Horas de luz: O trigo necessita de entre 1.000 e 1.500 horas de luz ao longo de todo o ciclo. Um fotoperíodo adequado favorece o afilhamento e o correto desenvolvimento das espigas.

Humidade relativa: O ideal é mantê-la entre 60% e 70%. Um excesso de humidade favorece o aparecimento de doenças fúngicas —ferrugens, septoriose e fusariose—. Por outro lado, se o ambiente for demasiado seco, a polinização pode ficar comprometida.

Cultivo de trigo

Requisitos hídricos

A gestão eficiente da água é fundamental para maximizar o rendimento da cultura do trigo, especialmente em sistemas de regadio:

Necessidades hídricas totais: A cultura do trigo em regadio necessita de entre 450 e 600 mm de água ao longo de todo o seu ciclo, dependendo das condições climáticas, da variedade e do sistema de rega. Nos sistemas de rega gota a gota, estas necessidades podem ser reduzidas em 20-30% face à rega por aspersão ou por inundação, devido à sua maior eficiência.

Coeficiente de cultura (Kc): O Kc varia consoante a fase fenológica: inicial (sementeira-afilhamento), 0,3-0,5; desenvolvimento (afilhamento-encanamento), 0,7-1,0; intermédia (encanamento-espigamento), 1,05-1,20; final (maturação), 0,4-0,6. O período de maior necessidade hídrica ocorre desde o encanamento até ao início do enchimento do grão.

Fases críticas da rega: Existem momentos fenológicos em que o défice hídrico tem um impacto severo no rendimento: durante o afilhamento, uma rega adequada favorece a formação de colmos produtivos; no encanamento-espigamento, o stress hídrico reduz o número de espiguetas por espiga; durante a floração, a falta de água provoca esterilidade floral; no enchimento do grão, determina o peso final do grão.

Frequência e dotação de rega: Na rega gota a gota, recomenda-se manter a humidade do solo entre 70% e 80% da capacidade de campo durante as fases críticas. As dotações habituais variam entre 15 e 25 mm por rega, com frequências de 5 a 10 dias, dependendo das condições climáticas. Durante o enchimento do grão, é essencial manter uma rega constante, mas moderada.

Qualidade da água: O trigo tolera águas com uma condutividade elétrica de até 4-6 dS/m sem reduções significativas de rendimento. O pH da água deve situar-se entre 6,5 e 8,0. É importante evitar regas com água muito fria durante as fases mais sensíveis.

Como se cultiva o trigo?

Como se semeia

Uma boa sementeira é meio caminho andado. Se a emergência for irregular ou as plântulas nascerem fracas, todas as intervenções posteriores serão mais difíceis.

Preparação do solo: O primeiro passo consiste numa mobilização profunda, de cerca de 25-30 cm, para romper as camadas compactadas que limitam o desenvolvimento das raízes. Em seguida, passa-se o cultivador ou a grade para deixar o solo solto e bem arejado. Caso seja utilizada rega gota a gota enterrada, as linhas de rega devem ser instaladas antes da sementeira, a uma profundidade de 15-20 cm. Se forem utilizadas fitas de rega superficiais, estas são colocadas e retiradas em cada campanha.

Método de sementeira: Pode utilizar-se um semeador de linhas tradicional, deixando 15-20 cm entre linhas, ou um semeador de precisão, caso se pretenda um maior controlo. Com rega gota a gota, é necessário planear a disposição: as linhas de sementeira devem ficar próximas da zona onde a água é aplicada, normalmente a cerca de 10-15 cm da linha de rega. Desta forma, as raízes encontram humidade desde o início.

Dose de sementeira: Em regadio, utilizam-se entre 180 e 220 kg por hectare para variedades de ciclo longo e entre 220 e 250 kg/ha para variedades de ciclo curto. Isto corresponde a aproximadamente 400-450 sementes viáveis por metro quadrado. A dose deve ser ajustada em função do peso de mil grãos da variedade, da capacidade germinativa e das condições existentes no momento da sementeira.

Profundidade de sementeira: O ideal situa-se entre 3 e 5 cm. A uma profundidade inferior, a semente fica mais exposta ao sol e às aves. A uma profundidade superior, a plântula demora mais tempo a emergir e desenvolve-se com menor vigor.

Tratamento da semente: Deve utilizar-se sempre semente certificada e tratada. Os fungicidas ajudam a prevenir o carvão, a cárie e os fungos associados à emergência. Também podem ser adicionados inseticidas contra pragas do solo e bioestimulantes para favorecer um arranque vigoroso do sistema radicular.

riego del trigo

Quando se semeia

O momento da sementeira é determinante. Semear demasiado cedo ou demasiado tarde pode representar uma perda de centenas de quilos por hectare.

Trigo de inverno: Na maior parte de Espanha, a sementeira realiza-se entre o final de outubro e meados de dezembro. No entanto, este período varia bastante consoante a região: nas zonas frias do interior —Castela e Leão, Aragão—, o mais adequado é semear entre o final de outubro e meados de novembro. Em zonas mais amenas, como o vale do Guadalquivir ou o Levante espanhol, é possível esperar até dezembro.

Trigo de primavera: É semeado entre fevereiro e março, quando as temperaturas começam a subir e o risco de geadas intensas diminui. Não é muito habitual em Espanha, mas constitui uma alternativa importante em zonas com invernos muito rigorosos ou quando a sementeira de outono não decorreu como previsto e é necessária uma segunda oportunidade.

Fatores a considerar: A data ideal depende de vários fatores. O solo deve encontrar-se, pelo menos, entre 8 e 10 °C para garantir uma boa germinação. É também necessário dispor de humidade suficiente ou ter capacidade para regar imediatamente. As sementeiras precoces apresentam maior risco de infestantes e doenças. A variedade escolhida —de ciclo longo ou curto— e o regime de produção, de sequeiro ou regadio, também influenciam. Em regadio, existe uma maior margem para ajustar as datas.

Sementeiras tardias: Por vezes, as condições obrigam a semear mais tarde, mesmo sabendo que se poderá perder entre 10% e 20% do potencial produtivo. Nestes casos, é necessário compensar: aumenta-se a dose de sementeira entre 15% e 20% e escolhem-se variedades de ciclo mais curto. Não é a situação ideal, mas permite salvar a campanha.

Quando se rega

A água aplicada no momento certo é um recurso de enorme valor. Fornecê-la quando o trigo não necessita representa um desperdício de dinheiro e recursos. Não a fornecer quando a cultura precisa significa perder produção. Analisemos cada fase:

Rega de pré-sementeira ou emergência: Se o outono for seco, uma rega de pré-sementeira de 60-80 mm garante humidade suficiente no perfil do solo e uma emergência uniforme. Se esta rega não tiver sido realizada e o solo estiver seco, é fundamental aplicar uma rega ligeira de 20-30 mm imediatamente após a sementeira.

Fase de afilhamento (novembro-fevereiro): Se a precipitação for normal, geralmente não é necessário regar nesta fase. Contudo, em condições secas, uma rega de apoio de 30-40 mm ajuda a formar mais afilhos produtivos. É importante evitar excessos: demasiada água provoca um desenvolvimento vegetativo excessivo e aumenta posteriormente o risco de acama.

Fase de encanamento (março-abril): É nesta fase que as necessidades de água começam realmente a aumentar. A humidade deve ser mantida entre 70% e 80% da capacidade de campo, com regas de 40-50 mm a cada 10-15 dias. Um défice hídrico reduz o número de espiguetas por espiga, traduzindo-se diretamente numa perda de produção.

Fase de espigamento-floração (abril-maio): Este é o período mais delicado. A falta de água nesta fase pode comprometer toda a colheita. Deve manter-se uma humidade constante, com regas frequentes de 30-40 mm a cada 7-10 dias. Na rega gota a gota, é preferível realizar aplicações mais frequentes e ligeiras: 15-20 mm a cada 5-7 dias. Qualquer situação de stress durante a floração pode causar esterilidade e reduzir o número de grãos.

Fase de enchimento do grão (maio-junho): É nesta fase que se determina o peso final dos grãos. Recomenda-se aplicar 35-45 mm a cada 7-12 dias, mantendo uma humidade moderada. Nem excessiva nem insuficiente. O excesso de água favorece as doenças e prejudica a qualidade panificável. A rega deve ser interrompida cerca de 15-20 dias antes da colheita, quando o grão apresenta entre 30% e 35% de humidade, para permitir uma secagem e um endurecimento adequados.

Controlo da rega: Não se deve regar sem informação objetiva. Devem utilizar-se sondas de humidade, tensiómetros ou uma estação meteorológica que calcule a quantidade de água perdida pela cultura. Com rega gota a gota, é ainda possível aplicar nutrientes em cada rega, sincronizando-os com as necessidades do trigo em cada fase.

Tratamentos e colheita do trigo

Fertilizantes — fertirrega

Para obter o máximo potencial do trigo, a nutrição é essencial. Não basta regar corretamente; é necessário fornecer os nutrientes adequados no momento certo.

Necessidades nutricionais: Para produzir 6.000-7.000 kg de grão por hectare, o trigo extrai do solo aproximadamente: 180-200 kg/ha de azoto, 80-100 kg/ha de fósforo, 160-200 kg/ha de potássio, 40-60 kg/ha de cálcio, 20-30 kg/ha de magnésio e micronutrientes como zinco, manganês, ferro, cobre e boro. Estes nutrientes devem ser repostos no solo.

Adubação de fundo: Antes da sementeira, aplica-se todo o fósforo e o potássio, juntamente com 20-30% do azoto. As doses habituais situam-se em torno de 80-100 kg/ha de P₂O₅, 100-120 kg/ha de K₂O e 40-60 kg/ha de N. Utilizam-se superfosfato, MAP ou DAP para fornecer fósforo; cloreto ou sulfato de potássio para o potássio; e ureia ou sulfato de amónio para a primeira aplicação de azoto.

Fertirrega azotada: O restante azoto —cerca de 120-140 kg/ha— é fracionado através da fertirrega nos momentos-chave. Durante o afilhamento, aplicam-se 20-30 kg/ha de N para favorecer a formação de mais colmos. No encanamento, 40-50 kg/ha para aumentar o número de espiguetas. No início do espigamento, mais 40-50 kg/ha para obter um maior número de grãos por espiga. Durante o enchimento, aplicam-se mais 20-30 kg/ha para melhorar o teor proteico do grão.

Fertilizantes para fertirrega: Os mais utilizados são o nitrato de amónio e cálcio (27% N), o nitrato de potássio (13-0-46), a ureia (46% N, embora seja necessário acidificar a água), o MAP e o MKP quando é necessário fornecer fósforo, e o sulfato de potássio solúvel para fornecer potássio.

Micronutrientes: Em solos alcalinos ou pobres podem surgir carências de zinco, manganês ou ferro. Estes elementos podem ser aplicados por fertirrega, através de quelatos, ou por via foliar. O boro é especialmente importante durante a floração, uma vez que influencia a viabilidade do pólen.

Controlo do pH e da CE: Na fertirrega, manter o pH da água entre 5,5 e 6,5 favorece uma melhor dissolução dos nutrientes. É também necessário controlar a condutividade elétrica para evitar a salinização do solo, sobretudo quando a drenagem não é adequada.

Tipos de pragas e tratamentos

O trigo tem os seus inimigos, como qualquer outra cultura. O importante é conhecê-los e intervir apenas quando for realmente necessário.

Afídeos: São as pragas mais habituais e problemáticas. Surgem desde o encanamento até ao enchimento do grão. Alimentam-se da seiva e transmitem vírus como o do nanismo amarelo, que pode ser devastador. O limiar de tratamento situa-se entre 10 e 15 afídeos por espiga durante o espigamento. Utilizam-se imidaclopride, pirimicarbe ou lambda-cialotrina. O tratamento da semente com inseticidas sistémicos pode proporcionar proteção durante as primeiras fases.

Zabro: Este coleóptero apresenta larvas que devoram as folhas durante o inverno e a primavera, podendo deixar zonas sem vegetação na cultura. Se forem detetados os primeiros danos no outono, aplicam-se clorpirifos ou lambda-cialotrina.

Mosquito-do-trigo: A larva penetra no interior do colmo e enfraquece-o até provocar a sua quebra. Caso tenham ocorrido problemas em campanhas anteriores, é aconselhável prevenir através do tratamento da semente ou de uma aplicação foliar precoce.

Tripes: Estes insetos surgem durante o espigamento e o enchimento, descoloram os grãos e podem deixá-los parcialmente vazios. Quando se registam mais de 5-10 tripes por espiga, deve intervir-se com deltametrina ou lambda-cialotrina.

Lagarta-rosca: Nas zonas quentes pode causar problemas importantes. As larvas alimentam-se das folhas e das espigas jovens. Os tratamentos são realizados com clorpirifos, lambda-cialotrina ou Bacillus thuringiensis enquanto as larvas ainda são pequenas.

Proteção integrada: A chave consiste em não depender exclusivamente dos produtos químicos. Deve realizar-se rotação de culturas para interromper o ciclo das pragas, eliminar infestantes que funcionem como refúgio, utilizar variedades resistentes sempre que possível, tratar preventivamente a semente, monitorizar regularmente a cultura com armadilhas e observação direta, respeitar os limiares de tratamento para evitar aplicações desnecessárias e alternar substâncias ativas para prevenir o desenvolvimento de resistências.

Colheita do trigo

A colheita é o momento decisivo. Depois de vários meses a cuidar da cultura, é necessário colher no momento certo para não perder rendimento nem qualidade.

Momento da colheita: A colheita realiza-se quando o grão está duro, não fica marcado com a unha e apresenta entre 13% e 16% de humidade. Se for colhido com mais de 16%, será necessário secá-lo posteriormente, o que implica custos adicionais. Abaixo de 12%, o grão desprende-se com facilidade e aumentam as perdas durante a colheita.

Calendário de colheita: Em Espanha, a colheita realiza-se entre junho e julho, embora as datas variem consideravelmente consoante a região. Na Andaluzia e nas zonas quentes do sul, decorre desde o final de maio até meados de junho. No planalto norte —Castela e Leão—, desde o final de junho até meados de julho. Nas zonas de montanha, pode prolongar-se até ao final de julho ou início de agosto.

Indicadores de maturação: A cultura está pronta quando apresenta a característica cor amarelo-dourada, o grão está muito duro, a humidade se situa entre 13% e 16%, a palha está seca e parte com facilidade e as folhas estão completamente secas.

Regulação da ceifeira-debulhadora: Cada máquina exige uma afinação específica, mas, como referência, recomenda-se: velocidade de avanço de 5-7 km/h em condições normais, cilindro debulhador a 800-1.000 rpm, separação do côncavo entre 12 e 18 mm —ajustada em função da humidade—, velocidade do ventilador regulada para limpar sem perder grão e crivos com abertura superior de 16-18 mm e inferior de 8-10 mm.

Perdas admissíveis: As perdas totais não devem ultrapassar 3%: menos de 1% na plataforma de corte, menos de 2% na debulha e separação e menos de 0,5% na limpeza. Se as perdas forem superiores, é necessário rever a afinação da máquina.

Momento do dia: O ideal é colher quando o grão está seco, mas a palha ainda conserva alguma flexibilidade. As últimas horas da manhã ou as primeiras horas da tarde costumam ser as mais adequadas. Deve evitar-se colher com orvalho ou depois de períodos de chuva.

Rendimentos esperados: Em regadio com rega gota a gota bem gerida, é possível obter entre 6.000 e 8.000 kg por hectare. Em condições ótimas e com variedades de elevado potencial, podem atingir-se 9.000-10.000 kg/ha. Em sequeiro, os rendimentos habituais situam-se entre 2.000 e 3.500 kg/ha. A diferença é muito significativa.

Qualidade do grão: Os parâmetros avaliados pela indústria moageira incluem: peso específico mínimo de 78-80 kg/hl para trigo panificável, teor mínimo de proteína entre 11% e 13%, humidade máxima de 14% para garantir uma boa conservação, impurezas máximas de 2% e um máximo de 5-8% de grãos germinados, partidos ou danificados.

Produtos de rega para trigo

Na Caudal, ajudamos há vários anos os produtores de cereais a transformar as suas explorações através de sistemas de rega eficientes. A rega gota a gota no trigo já não é uma solução de futuro, mas uma realidade rentável.

Sistemas de rega gota a gota enterrada: Esta é a opção de referência para culturas extensivas como o trigo. As tubagens com gotejadores são enterradas a uma profundidade de 15-25 cm, com laterais separados entre 1,5 e 2 metros e gotejadores espaçados entre 30 e 50 cm, com um caudal de 1-2 litros por hora. Quais são as vantagens? Reduzimos o consumo de água entre 25% e 35% face à aspersão, conseguimos uma uniformidade superior a 90%, eliminamos perdas por evaporação, reduzimos o aparecimento de infestantes por não molharmos toda a superfície, podemos fertilizar com elevada precisão e o sistema apresenta uma vida útil de 10-15 anos com uma manutenção simples.

Fitas de rega gota a gota superficiais: Para quem não pretende realizar um investimento inicial tão elevado, as fitas superficiais constituem uma boa alternativa. São instaladas à superfície durante o ciclo da cultura e recolhidas após a colheita. São ideais para produtores que alternam o trigo com outras culturas ou que pretendem testar a rega gota a gota antes de avançar para uma instalação definitiva.

Sistemas de filtração: Neste ponto, não se deve poupar. Uma obstrução dos gotejadores pode comprometer a colheita. Disponibilizamos filtros de discos para águas limpas, filtros de malha para águas com partículas em suspensão, filtros de areia para águas com matéria orgânica ou algas e sistemas de filtração automática com retrolavagem, que efetuam a limpeza de forma autónoma.

Cabeçais de fertirrega: É aqui que se realiza a aplicação precisa dos fertilizantes. Estes sistemas permitem injetar nutrientes com grande exatidão. Incluem depósitos de fertilização com agitador, bombas injetoras de diferentes tipos, sistemas de controlo do pH e da condutividade, programadores para dosear exatamente as quantidades necessárias e medidores de caudal e pressão.

Equipamentos de controlo e automatização: Tecnologia ao serviço do agricultor. Programadores de rega com múltiplos setores, sensores de humidade do solo que indicam exatamente quando é necessário regar, estações meteorológicas conectadas que calculam a quantidade de água perdida pela cultura, eletroválvulas, reguladores de pressão e sistemas de telecontrolo que permitem gerir toda a instalação através do telemóvel. Porque o seu tempo também tem valor.

Tubagens e acessórios: Fornecemos tudo o que é necessário: tubagens primárias e secundárias, tubagens porta-gotejadores com proteção UV e antirraízes, ligações de todos os tipos, ventosas para eliminar o ar do sistema, válvulas de drenagem nos pontos baixos e manómetros para controlar a pressão.

Vantagens da rega gota a gota no trigo: Os números falam por si. Aumento do rendimento entre 100% e 150% face ao sequeiro, poupança de água entre 30% e 40% relativamente à aspersão, melhor controlo fitossanitário porque a folhagem permanece seca, fertirrega precisa em cada fase, redução dos custos energéticos, menor lixiviação e contaminação dos aquíferos, funcionamento adequado em parcelas irregulares e com declive e amortização do investimento num período de 4 a 6 anos. A partir desse momento, os benefícios económicos aumentam.

Aconselhamento técnico: Não deixamos o produtor sozinho depois da instalação do sistema. A nossa equipa de engenheiros agrónomos disponibiliza: projeto personalizado em função da parcela, cálculo das necessidades hídricas e programação das regas, recomendações de fertirrega com base nas análises do solo, formação completa sobre utilização e manutenção, assistência técnica e peças de substituição sempre disponíveis e acompanhamento durante toda a campanha para otimizar os resultados. Porque o que realmente nos importa é que o seu investimento seja um sucesso.


Perguntas frequentes sobre o trigo

Quando se semeia o trigo?

Depende do tipo de trigo cultivado. O trigo de inverno, que é o mais habitual em Espanha, é semeado entre o final de outubro e meados de dezembro. Nas zonas frias do interior, como Castela e Leão, o mais aconselhável é antecipar a sementeira e realizá-la entre o final de outubro e meados de novembro. Em contrapartida, nas zonas mais amenas do sul, é possível esperar até dezembro sem qualquer problema. O trigo de primavera é semeado entre fevereiro e março. O mais importante é que o solo esteja, pelo menos, entre 8 e 10 °C para garantir uma boa germinação.

De quanta água necessita a cultura do trigo?

O trigo em regadio necessita de entre 450 e 600 mm de água ao longo de todo o seu ciclo. Este valor varia consoante o clima e o sistema de rega utilizado. A vantagem da rega gota a gota é permitir reduzir estas necessidades em 20-30% face a outros sistemas, uma vez que aproveita melhor cada gota de água. Os períodos de maior procura hídrica decorrem entre março e junho: encanamento, espigamento, floração e enchimento do grão. Durante estas fases, é essencial manter a humidade do solo entre 70% e 80% da capacidade de campo para maximizar o rendimento.

Qual é o melhor tipo de rega para o trigo?

Sem dúvida, a rega gota a gota enterrada. É, claramente, o sistema mais eficiente. Permite poupar entre 25% e 35% de água face à aspersão, distribuir a água de forma mais uniforme, aplicar fertilizantes com precisão, manter a folhagem seca e reduzir as doenças, diminuir o aparecimento de infestantes e consumir menos energia. É verdade que o investimento inicial é superior, mas pode ser amortizado num período de 4 a 6 anos. A partir daí, graças à poupança de água, energia e fertilizantes e, sobretudo, ao aumento superior a 150% do rendimento face ao sequeiro, o sistema torna-se altamente rentável.

Quando se colhe o trigo?

Quando o grão está duro e apresenta entre 13% e 16% de humidade. Em Espanha, isto acontece geralmente entre junho e julho, embora varie consoante a região. No sul, a colheita pode começar no final de maio. No planalto norte, decorre desde o final de junho até meados de julho. Nas zonas de montanha, pode prolongar-se até ao final de julho. Os sinais visuais são claros: a cultura apresenta uma característica cor dourada, o grão não fica marcado com a unha e a palha está completamente seca. Colher no momento certo faz a diferença entre uma boa colheita e uma colheita excelente.